Reinventar o sindicalismo para um mundo pós-emprego

O mundo do trabalho está mudando. E não tem volta. A crescente automação e robotização tendem a mudar os modos de trabalhar, a identificação subjetiva de cada um com seu trabalho e a separação entre tempo de trabalho e tempo de vida. Isso tem impacto sobre as formas tradicionais de proteção social. As leis trabalhistas e as instituições que compõem a seguridade social, como a previdência, foram concebidas nos pós-guerra para um mundo em que havia a perspectiva do pleno emprego, devido à crescente industrialização. Os movimentos sindicais tinham força, nesse contexto, para conquistar direitos e garantias para os trabalhadores e suas famílias.

Hoje esse cenário está mudando e o enfraquecimento da ação sindical tem a ver com isso. Presidi um sindicato docente em que já se colocava a questão da especificidade do tipo de trabalho que fazemos – o trabalho com o conhecimento. Surgem desafios inerentes à natureza desse trabalho ao escolhermos as formas de mobilização. É o caso das greves, que não se transpõem facilmente do trabalho na fábrica para o trabalho com o conhecimento, ou mesmo o trabalho de prestação de serviços públicos (em que não é o patrão o principal prejudicado, e sim a população). A partir de perguntas como essa, tenho investido na criação de novas formas de mobilização e novas estratégias de organização mais adaptadas ao mundo contemporâneo. Essas mudanças têm impactos profundos na esquerda. A reinvenção desse campo é urgente.